Arquivo para Dezembro, 2007

Ai, Danuza!

Ando meio… sei lá. Está tudo se juntando: a vaga no Kzuka que não sai, o nervosismo de ter que ir pra São Paulo sem lenço e sem documento, a [enorme] saudade dos meus amigos de Floripa (poucos deles em Floripa ainda) e alguns percalços com meus amigos de infância, ocasionados pela minha inexistente capacidade de lembrar que preciso pisar em ovos quando estou em Panambi.

Pus a cabeça no travesseiro ontem à noite e não consegui dormir com esse monte de angústias. Solução? A de sempre: ler até perder a consciência ou o livro acabar. Nesse caso, o livro acabou: Quase tudo, as memórias da Danuza Leão, que a Tici e a Keka me haviam dado no aniversário do ano passado. (Quando meu pai viu a dedicatória, a melhor que recebi na vida, e a data em que tinha sido feita, disse: “E não leu ainda? Mas que vergonha!”.)

Sempre gostei da Danuza. Comecei a ler as crônicas dela quando meu irmão assinava a Folha e continuei lendo-as quando vinha pra casa e folheava as Cláudias da minha irmã. A conquista final aconteceu quando fazíamos oficina de crônicas com a Regininha. Mandei-lhe um e-mail com algumas perguntas sobre o trabalho de cronista e ela respondeu mais ou menos dizendo que não tinha capacidade de respondê-las. Não sei se foi preguiça (porque as perguntas eram complexas e cansativas) ou qualquer coisa, mas a simplicidade com que a Danuza me respondeu, sendo que podia simplesmente ter me ignorado, me pegou de jeito e pra sempre. Sou assim mesmo, me vendo barato.

Quando as gurias me deram o livro, fiquei primeiro fascinada pelas fotos, que são de uma plástica linda - a Danuza contribui, ela era lindíssima (e é ainda). E só de saber que ela era irmã da Nara Leão e foi casada com o Samuel Wainer eu já tinha muita vontade de ler. Mas sempre fui postergando, postergando… Até que, antes de vir pra Panambi nessas férias, olhei pra ele na estante e prometi que desse verão não passava. E não passou.

A Danuza escreve muito bem, de uma forma fluida e simples. A gente vai surfando pelas páginas (pra usar uma imagem da Daisi em uma aula de Redação II). E são tantos detalhezinhos deliciosos, tantos meandros e histórias de bastidores… No final o negócio fica pesado, porque ela fala da morte do filho de uma maneira pungente que faz chorar (apesar de que eu não sou parâmetro, choro em tudo quanto é livro). Mas ela arremata super bem, dá um encerramento inteligente e a gente fecha o livro com um sorriso nos olhos.

Agora comecei A sangue frio. O quê, jornalista que ainda não leu A sangue frio?! Mas que vergonha, como diria meu pai.

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Acordaaaaaa!

Queridos leitores. Andei meio distante deste blog por motivos profissionais. Como bem citado no post anterior, tinha um freela pra fazer. (Deu tudo certo, terminei a tempo e a matéria foi aprovada pela editora. Vai sair na Sorria! de fevereiro do ano que vem, revista a ser vendida nas farmácias Droga Raia e cujo lucro será todo revertido ao GRAAC.) Agora que as coisas se acalmaram tenho tempo pra contar as novidades e voltar a atualizar.

Bueno, pra início de conversa, me formei em gabinete na quarta passada (19/12, às 18h30, na sala da Viviane, diretora do CCE). Eu, Tici, Keka, VH, Tiagão, Robertinha e Cissa agora somos jornalistas de verdade. O problema é que a cerimônia de colação só rola em fins de abril, daí fica muito longe pra procurar emprego como formado. Agora dá adiantar diploma, registro de trabalho e todas essas burocracias.

Também passou o Natal, né? Viemos pra Panambi passar o feriado, eu, meu irmão e a namorada. Eu tinha pedido um celular, porque desde que desbloquearam o meu na Brasil Telecom a bateria dele não dura 24h. Não ganhei. Foi uma decepção, mas escondi direitinho – o problema é que vou ter que usar a grana do freela pra comprá-lo, e não queria já ter que empenhar esse dinheiro. De qualquer modo, o saldo natalino foi positivo: roupas e chocolates pra mais de metro! Mas fiquei muito feliz (mais do que com os presentes que ganhei) porque acertei nos presentes que dei: canecas de porcelana pra minha mãe, Pai rico pai pobre pro meu pai, 1001 discos para ouvir antes de morrer pro meu irmão, Relato de um certo Oriente  pra minha irmã e chocolates pra minha cunhada e meu cunhado. Sim, estou entre os pobres coitados que sustentam as péssimas livrarias de Florianópolis!

Natal aqui em casa é bom, mas esse ano foi estranho. Passou rápido, eu não saí à noite com minhas amigas como costumo fazer, fomos dormir cedo e o almoço do dia seguinte foi mais estranho ainda, porque meu irmão e a namorada acordaram atrasados e não comeram junto. De qualquer modo, meu dia predileto do ano passou e eu nem notei. Será que vou virar uma daquelas pessoas que odeiam Natal? T’esconjuro, já diria Jorge Amado…

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O primeiro freela a gente nunca esquece

Confirmado. Agora é só esperar a pauta chegar.

Wish me luck!

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Viver = trabalhar

Hoje topei meu primeiro freela (para os não jornalistas: trabalho freelancer; matéria que a gente faz, recebe por ela, mas não cria vínculos institucionais formais com o veículo que nos contratou – aliás, que bela definição!). Não é nada certo, mas se rolar vou dar o melhor de mim.

A questão é minha posição atual, que inclui um não poder recusar nada. Tenho uma vozinha que mistura preguiça e medo do fracasso falando intermitentemente na minha cabeça, algo que sempre me puxou pra baixo e me retraiu frente aos desafios profissionais e pessoais. É hora de matar, esquartejar, empalar, pulverizar no ar e aniquilar pra sempre essa vozinha loser.

Como disse um professor meu da faculdade (que não deixou saudades – o professor, não a faculdade), nessa profissão é proibido ter medo. E, parafraseando um grande jornalista e cronista das antigas, João Antônio, vamos à luta que a vida é puta.

 PS.: Esse freela atrasou mais ainda meu retorno à saudosa Panambi.

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Veja, Margarida

Veja você,
Arco-iris já mudou de cor
Uma rosa nunca mais desabrochou 
Não quero ver você
Com esse gosto de sabão na boca

Veja meu bem, gasolina vai subir de preço
Eu não quero nunca mais seu endereço
Ou é o começo do fim… ou é o fim…

Eu vou partir
Pra cidade garantida, proibida
Arranjar meio de vida, Margarida
Pra você gostar de mim

E essas feridas da vida, Margarida
Essas feridas da vida, Margarida
Pra você gostar de mim…

Começou o clima de despedida, um pra cada lado, fim do mundo de 4 anos felizes, descompromissados e maravilhosos (universitários, enfim) que tivemos. Agora é voltar pra casa passar o Natal e depois entrar na vida – esse monstro enorme, repugnante e do qual têm nos falado negativamente desde a primeira segunda-feira de aula na sala 102: o jornalismo.

Essa música está na minha cabeça há dias. É do Vital Farias, mas eu gosto dela na versão da Elba Ramalho (no “O Grande Encontro 3″). Resume um pouco do que ando sentindo agora, com essa fase de transição entre uma existência parasitária e outra proletária.

Prometo que vou atualizar essa cachaça aqui com mais freqüência. Palavra de escoteiro.

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Mein Gott

Rendi-me.

Veremos no que dará esse blog, criado em uma quinta-feira de brigas com o mouse (tá temperamental há dias, o maledetto).

Agradeçam (ou matem) a Keka: a ela devo tal iniciativa.

Renderam-me.

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