Ando meio… sei lá. Está tudo se juntando: a vaga no Kzuka que não sai, o nervosismo de ter que ir pra São Paulo sem lenço e sem documento, a [enorme] saudade dos meus amigos de Floripa (poucos deles em Floripa ainda) e alguns percalços com meus amigos de infância, ocasionados pela minha inexistente capacidade de lembrar que preciso pisar em ovos quando estou em Panambi.
Pus a cabeça no travesseiro ontem à noite e não consegui dormir com esse monte de angústias. Solução? A de sempre: ler até perder a consciência ou o livro acabar. Nesse caso, o livro acabou: Quase tudo, as memórias da Danuza Leão, que a Tici e a Keka me haviam dado no aniversário do ano passado. (Quando meu pai viu a dedicatória, a melhor que recebi na vida, e a data em que tinha sido feita, disse: “E não leu ainda? Mas que vergonha!”.)
Sempre gostei da Danuza. Comecei a ler as crônicas dela quando meu irmão assinava a Folha e continuei lendo-as quando vinha pra casa e folheava as Cláudias da minha irmã. A conquista final aconteceu quando fazíamos oficina de crônicas com a Regininha. Mandei-lhe um e-mail com algumas perguntas sobre o trabalho de cronista e ela respondeu mais ou menos dizendo que não tinha capacidade de respondê-las. Não sei se foi preguiça (porque as perguntas eram complexas e cansativas) ou qualquer coisa, mas a simplicidade com que a Danuza me respondeu, sendo que podia simplesmente ter me ignorado, me pegou de jeito e pra sempre. Sou assim mesmo, me vendo barato.
Quando as gurias me deram o livro, fiquei primeiro fascinada pelas fotos, que são de uma plástica linda - a Danuza contribui, ela era lindíssima (e é ainda). E só de saber que ela era irmã da Nara Leão e foi casada com o Samuel Wainer eu já tinha muita vontade de ler. Mas sempre fui postergando, postergando… Até que, antes de vir pra Panambi nessas férias, olhei pra ele na estante e prometi que desse verão não passava. E não passou.
A Danuza escreve muito bem, de uma forma fluida e simples. A gente vai surfando pelas páginas (pra usar uma imagem da Daisi em uma aula de Redação II). E são tantos detalhezinhos deliciosos, tantos meandros e histórias de bastidores… No final o negócio fica pesado, porque ela fala da morte do filho de uma maneira pungente que faz chorar (apesar de que eu não sou parâmetro, choro em tudo quanto é livro). Mas ela arremata super bem, dá um encerramento inteligente e a gente fecha o livro com um sorriso nos olhos.
Agora comecei A sangue frio. O quê, jornalista que ainda não leu A sangue frio?! Mas que vergonha, como diria meu pai.