Sangue quente

Essa semana terminei A sangue frio, do Truman Capote, e hoje a Keka me disse que tinha começado Os Eleitos, do Gay Talese. Conversávamos no chat do Gmail e não deu pra discutir sobre os livros porque eu estava de saída (fui nos Correios mandar a documentação pra receber a grana do freela - lembram daquele freela?). O negócio é que… cara, a gente devia ter lido essas coisas há muito tempo (como bem disse a Regininha)!

Não só por serem grandes exemplos do que há de melhor no new journalism, como pelos recursos estéticos e de apuração que os caras usam. São duas grandes reportagens que todo mundo deve ler, independente da profissão, mas pra jornalista é um prato cheio. Os links, os recortes, os flashbacks super bem colocados, as descrições, a apuração documental e o modo como ela foi pulverizada no decorrer do texto…

Mas… será que se eu tivesse lido o Capote quando era caloura teria aproveitado do mesmo jeito que aproveito hoje? A resposta é não. Teria lido sem prestar atenção no texto, na apuração, na edição – só teria sentido, como só sentimos quando lemos por prazer.

Claro, isso não tira o demérito de ter me formado com uma mancha no passado – a não leitura dos clássicos do jornalismo. Que saída então? Reler, reler sempre. Daqui a um ano talvez eu leia A sangue frio novamente e, se o fizer, certamente será com outros olhos. 

Tem um conto do Guimarães Rosa chamado Substância (tá no Primeiras Estórias). Eu o amo – tanto que o papel de parede do meu notebook é um trecho dele. Toda vez que fico triste ou quando me falta o que fazer (ou a vontade de fazer algo), releio Substância. E toda vez ele é um pouco diferente, mais leve, mais pesado, mais superficial, mais profundo. Mas a quem engano? O conto é sempre o mesmo; quem muda é a gente.

6 Comentários »

  1. Bel disse

    Aiiii que legal! Alguém,q ue não é qualquer alguém, e leu esse livro só depois do TCC! Me senti “menos pior” agora! hehe

  2. sabrina carozzi disse

    Os eleitos é do Tom Wolfe, não é?
    Bjus, gauchinha!!! Saudades!

  3. keka disse

    Eu acho que um livro é bom quando, ao terminar de lê-lo, vc entende que poderia ter tirado muito mais dele, ou que ainda poderá lê-lo outras tantas vezes e ele sempre terá algum sabor de inédito.
    Quando li A Sangue Frio, mesmo sabendo de cor e salteado a história, briguei com o livro até o final. Achava que, de repente, todo mundo que conta a hitória poderia estar errado e o fim ser diferente…
    Beijos.

  4. Regininha disse

    O que eu disse, Dona Carol, é que quando chegassem na Redação VI ou VII, já deveriam estar lidos estes livros, e discutidos com os professores jornalistas. Daí seriam discutidos com a professora literata, e se aproveitaria mais coisa deles, leituras amadurecidas… Calouro pode não aproveitar a mesma coisa, mas não perde a leitura… nem a releitura. O Capote é sempre bom, o Wolfe é bom jornalista e péssimo romancista, já o Talese, ah, Talese é outra história! Talese é a glória! Perfeitinho que só ele!
    beijão, lindinha, e SSSSAAAAUUUUDDDDAAAADDDDEEEESSSS!

  5. Regininha disse

    E sobre o conto do Rosa, tás enganada: a gente muda, e o conto muda junto…
    Apresenta novas facetas,palavras adquirem outros e melhores significados,o sentido geral do texto se aprofunda…
    Isso acontece comigo mais é com Machado de Assis, e adoro reler, tresler, e por aí afora.
    bj, traveis!

  6. Dirceu Neto disse

    Você também é?!
    Senti a mesma coisa em janeiro quando li 1968, fiquei pensando: ‘porque não antes?’. Ontem, passei num sebo e vi A Mulher do Próximo, R$3,00!
    Comprei e pensei a mesma coisa quando cheguei em casa.
    Cheguei à seguinte conclusão: tempo pra beber não faltou!
    Bjoss capetinha

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