Poesia, eu?

Na sexta (?) eu e Robertinha discutíamos poesia. Eu contava a ela o quanto fico admirada diante de pessoas que escrevem poemas. Que pra mim isso parece coisa de outro mundo, de gente iniciada, superdotada, iluminada por Deus, sei lá. Ela me dizia que não tem nada a ver, que um dia ela sentou pra escrever e de repente viu que tinha feito um poema. Duvidei um pouco e pensei que comigo tal coisa nunca aconteceria. Nunca mesmo. Imagina eu fazendo poesia, mesmo que por descuido? Credo…

Ontem à noite, como acontece normalmente, eu viajava antes de pegar no sono. Talvez influenciada pela conversa da Robertinha, pelos poemas que trocamos depois via orkut ou pela pessoa que dormia ao meu lado, comecei a… enfim… nem sei se… é que assim… fiz um poema. Pronto, falei. Fiz ele todinho na minha cabeça. Era madrugada alta e a poesia meio que veio vindo, chegou de mansinho e era tão fácil encadear uma frase na outra que achei tudo muito natural.

Tudo que a Regininha sempre falou sobre poesia - aquela história de “cometer um poema”, de pegar logo um papel pra escrevê-lo quando ele surge, de não deixá-lo escapar – subitamente fez sentido. Porque meu primeiro poema me assaltou. Essa é a palavra, me ASSALTOU. Me arrebatou. Não consegui parar de pensar nele até completar a última frase.

O sono, o contexto e a preguiça fizeram com que meu primeiro poema se perdesse no tempo e no espaço pra sempre. Quando tento lembrar dele agora me vêem frases dispersas, palavras perdidas, nada que faça muito sentido. Talvez ele fosse ruim, ou péssimo mesmo, mas foi o primeiro. E o primeiro a gente nunca esquece. Ou não deveria esquecer…

Só sei que era sobre um braço pesando na curva da minha barriga, uma respiração ritmada nos meus cabelos e uma perna roçando na minha.

2 Comentários »

  1. Regininha disse

    Depois de cometer o primeiro poema, minha santa, vão-se cometendo outros…
    Por causa dos braços sobre a barriga… ou pela lembrança deles, pela dor que nos causam, pela felicidade que nos causam, seja pelo que for.
    Ainda bem que está escrevendo traveis!
    bj

  2. Roberta disse

    Pô que massa Carol! Agora tu para de dizer que conversar comigo é difícil e sei lá mais o que! hahahah

    Isso pq eu nem te contei, mas meu primeiro poema me veio em sonho, há muitos anos. Achei que ia lembrar dele para sempre, porque era uma lembrança muito viva, e não me preocupei em escrever. Bom, claro que ele voltou para o reino das palavras e deve ter sido escrito por outra pessoa…. Ou me espera voltar em sonho ainda… hahaha

    Bjão

RSS feed para comentários neste post · URI do TrackBack

Deixe um comentário