Ontem à noite fui cinema ver Era uma vez…, o novo filme do Breno Silveira, o cara de Dois Filhos de Francisco. Fazia um tempão que eu queria ver Era uma vez…, um filminho lindo sobre uma história de amor entre um cara do Morro do Cantagalo e uma guria de Ipanema. Com todos aqueles clichês de história de amor impossível, pais que não aceitam as diferenças sociais entre o casal, irmão bandido e o Nordeste como destino de uma fuga, o filme valeu o investimento. Gostei, mas já sabia que ia gostar.
O que eu não gostei, de fato odiei e acabou com minha noite, foram três gurias sem noção, sem a menor noção, sem a menor sombra de noção!, que sentaram na fila atrás de mim no cinema. Não pararam de falar, NÃO PARARAM DE FALAR um minuto sequer, e falar alto, como se estivessem assistindo a novela na sala de casa. Ah, sempre tem gente que fala no cinema, não tem o que fazer. Mas falar alto durante todo o filme, desrespeitando quem pagou R$ 8 pra ter um momento de prazer é um absurdo! ABSURDO.
Pior foi o final. Não vou estragar contando, mas rola uma emoçãozinha, talvez umas lagrimazinhas inclusive. Na hora do desfecho sobe o som e a imagem vai afastando, mostrando a aglomeração de jornalistas e curiosos ao redor da cena. Não é que as gurias atrás de mim começaram a berrar, BERRAR!, mais alto que a música do filme, comentando o final??? Tinha uma delas que ficava dizendo “Romeu e Julieta, Romeu e Julieta!” obsessivamente, como se tivesse feito A descoberta do ano! (Ok, contei o final.) Tapei os ouvidos com as mãos e tentei não ouvi-las, não ouvir a música do filme, não ouvir nada, pra ver se conseguia aproveitar o finalzinho do filme e não destruir a imagem que tinha ficado dele.
Por que tem gente que faz isso? Será que as pessoas não se tocam o quanto são mal educadas com esse tipo de atitude? Morro de vergonha de virar pra trás e pedir silêncio pra gente que não conheço porque sempre acho que alguém que fala durante o filme é bem capaz de armar barraco no cinema, e fujo de briga em público que nem diabo foge de cruz. Mas sempre saio frustrada, braba, com vontade de dar soco em alguém. Por que acabar com a noite das outras pessoas desse jeito? Não sabe viver em sociedade?
Por isso que eu gosto do CIC - com fedor de mofo, cadeiras rasgadas e filmes que já saíram de cartaz há meses, mas pessoas inteligentes dentro.
PS.: Na hora de ir embora, elas começaram a falar em “amarelinho”, “táxi”, “ônibus”. Ri por dentro, segurando a chave do meu carro. Uma pequena vingança, mesquinha, baixa e vil, mas uma vingança.