Alguma coisa acontece no meu coração

A Tici sempre diz que enquanto eu não for pra São Paulo nunca vou sossegar. Concordo com ela. Acho que preciso encarar essa cidade nem que seja pra chegar um dia e poder dizer “fui e deu merda, mas ao menos sei que tentei”. Essa é a história da minha vida, na real. Ter medo do fracasso e postergar as decisões até que elas prescrevam ou percam a atração. Dessa vez não vai acontecer. Florianópolis está com os dias contados pra mim, com deadline para ser trocada pela Paulicéia assustadora.

Nem tão assustadora assim. Eu adoro São Paulo. (Ia escrever “amo”, mas me pareceu falso dizer isso sendo que nunca conheci realmente a cidade.) Gosto de andar nas ruas, da sensação de nunca passar pelo mesmo lugar, e de, mesmo na maior metrópole do Brasil, ter a chance de encontrar um conhecido em plena Avenida Paulista (sim, aconteceu comigo). Acho que gosto até daquele sotaque nojento. Mas a coisa que mais gosto, sem sombra de dúvida, mesmo mesmo, é saber que boa parte dos meus amigos está lá.

Vai ser legal. Boto fé que vai ser melhor do que meus últimos meses aqui em Floripa, meio solitária, sem gosto pelas coisas e vendo a melhor fase da minha vida (blargh!) passar por mim. Claro que terei desafios pela frente. Morar numa cidade violenta vai ser uma novidade pra mim. (É difícil dizer qual cidade é mais tranquila, se Floripa ou Panambi. Acho que Floripa.) Encarar distâncias absurdas é novo também (por mais que Florianópolis não seja um lugar onde as coisas são exatamente perto umas das outras). Na verdade, não saber fazer nada em São Paulo e nem poder parecer perdida me manterá bem ocupada nos primeiros tempos, imagino eu.

Ontem a Tici (sempre ela! =D) me deu um tapa na cara quando falou que dia 31 (meu último dia de trabalho aqui na revista) é sábado que vem. Não tinha me tocado que esse mês passou tão rápido. Ainda tenho bilhões de coisas pra fazer e não comecei nem a pensar na mudança. Preciso arrumar umas coisas do carro (que vai pra Panambi por uns tempos [enxuga lágrima]), formatar o computador (o que vai dar um mega trabalho, porque preciso fazer faxina nele também) e decidir o que levar. As decisões se aproximam e eu nem tinha reparado.

Claro que nem tudo é tão sem planejamento assim. Estou contando com os três meses de seguro desemprego que vou receber e já disparei emails pra pessoas que costumam me passar frilas. Também tem a possibilidade de eu conseguir um esquema de trabalho com o Tiagão. Fora isso, vou mandar currículos, catar ofertas de emprego nos blogs e twitters da vida e pensar em pautas pra tentar emplacar.

É certo que todos os meus amigos passaram por essa etapa um ano atrás enquanto eu matava cachorro a grito em Florianópolis. É clichê, mas todas as experiências são válidas e não acho ruim ter ficado esse ano aqui. Assim como nunca vou me arrepender de nem ter tentado ir pra São Paulo, visto que estou indo, nunca vou poder me arrepender de ter ficado em Floripa. Trabalhei aqui, botei experiência no meu currículo, na minha capacidade automobilística e curti um ano bem tranquilo. Queria ter juntado mais dinheiro, mas não é possível fazê-lo nessa cidade.

Outro saldo positivo, o melhor deles, foi ter descoberto o que mais gosto de fazer no jornalismo. Era o que eu achava que era – escrever para revista –, mas com essa certeza já dá pra direcionar a carreira com mais segurança. Obviamente vou topar o que me aparecer pela frente, mas é muito mais fácil correr atrás de um futuro legal sabendo o que se quer fazer no resto da vida. Resto da vida? Ok, exagerei. Escrever para revista é o que quero fazer nos próximos anos, mas não é um objetivo excludente. E um recadinho especial para meus amigos: não esqueçam de me mandar propostas de emprego.

E vamo que vamo!

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