Uma vez começamos uma discussão sobre o que acontece com o motorista que dirige o último ônibus de uma linha. Como o cara vai pra casa depois de deixar o latão na garagem? Não lembro quem levantou a questão, mas sei que passamos um bom tempo sugerindo hipóteses furadas sem chegar a conclusão nenhuma.
Ontem eu desvendei a charada. Lá pela meia-noite e pouco, escorada numa pilastra do terminal esperando minha carona chegar, vi a cena mais engraçada dos últimos tempos. Um ônibus vindo pela avenida Paulo Fontes no sentido Terminal Rita Maria-Ticen estacionou em cima da faixa de segurança e abriu as portas pra deixar os passageiros saírem. Qual a minha surpresa quando saem do ônibus uns 15 motoristas uniformizados!
Eles brincavam uns com os outros, conversavam, estavam muito animados - animação de fim de expediente, saquei na hora. Passaram por mim com suas calças sociais pretas, suas camisas azuis com o logotipo da Transol e aquelas bolsas de tenista, bizarras e anacrônicas, que todos eles têm iguais. Ficaram me olhando, claro, como olham pra qualquer mulher, e eu baixei a cabeça e tentei a todo custo esconder uma risada que ameaçava tomar conta de mim. Afinal, eu descobrira o mistério e ainda tivera a chance de ver um monte de motorista de ônibus, esse ser odioso de cuja existência depende toda a minha vida, pagando de passageiro animadinho!
Taí a solução do mistério: o motorista do último ônibus de uma linha volta pra casa junto com os outros motoristas dos últimos ônibus das linhas, todos eles em um latão que os traz da garagem até o terminal. Só não me pergunte como volta pra casa o cara que traz os motoristas até o centro…
